sexta-feira, agosto 13, 2004

A gaja, o degrau e a puta da melancolia - crónica de outros calores

A gaja

Aparecia-me quase todas as noites. Ora sonhava a dormir ora acordado, mas sempre com ela. Eram os olhos, era a pele, a música que lhe estava implícita, o sabor. E, como a fruta, também tinha sua época. Amadurecia no Verão, mesmo a tempo de me adocicar o resto da temporada.


O degrau

Calhou tropeçar nela sem ser em sonhos. Depois do flavour e do romance irrepreensível, o espalho ao comprido. Afinal era alperce com caroço. Das duas uma, ou cuspia fora ou engolia em seco. E ela sem parar de olhar. Preferi a abordagem Zézé Camarinha – que se foda a gaja que isto está cheio de bifas!


A Puta da Melancolia

É Inverno. Foda-se. Só me apetece caldo verde e lareira. Quero biquinis e a gaja com pele de alperce.

segunda-feira, agosto 09, 2004

Silly Season

É verdade! Entre dilúvios de sangue e propostas musicais (ambo(a)s de louvar), o país do futebol politizado continua a fazer jus à sua verve intelectual. Depois de colocar o Jorge e o Vítor a arder (quiçá do rabo), Del Neri caiu. O Jorge Nuno não perdoou a ofensa corporal inflingida aos seus delfins e, que nem Brutus, Zás! Pelas costas, como manda a boa educação.
De política nada. Nada há a dizer. Mais do mesmo e tudo mau. Nem é mau que eu quero dizer...é tudo tão, mas tão fraquinho. Repetindo a analogia, quando vemos as noticías, parece que estamos a assistir a um Solteiros - Casados, com direitos de transmissão para todo o País. Não vemos, nem ouvimos. Mas sabemos que passam imagens e que elas dizem qualquer coisa de inaudível.
Portanto, esta é uma boa época para coisas novas, sejam elas caipirinhas, mojitos ou margueritas. E para ser servido com gelo, recomendo David Amsden. Li apenas algumas coisas, mas pareceu-me bem mais animado que os pareceres do Marcelo. O novo livro dele, Important Things That Don´t Matter, merece ser lido só pelo título. Ainda não o fiz, mas estou deserto para saber se também acha que as torradas deviam ter só partes do meio.
E novo é também o desafio proposto pela Black Book. Pegou num novo conceito - a Micro Fiction e desafiou gajos como o Irvine Welsh ou o JT Leroy a escreverem uma ficção em seis palavras. Como exemplo, Hemingway - "for sale, baby shoes, never used", que considerou este o seu melhor trabalho.
E assim, proponho um Hermafrodita! Ou seja, que digam coisas importantes que não interessam em apenas seis palavras. 'cause the devil is 6.

quinta-feira, agosto 05, 2004

O Período - essa barata tonta.

Sou apologista de anexos em todas as casas. Devia ser uma atitude prático-cultural como ter despensa ou lava loiça.
Há 5 dias do mês em que nada do que faço está certo.
São 5 dias extenuantes, irracionais, roaler_coaster like.
Já tentei a abordagem compreensiva: "sim, claro, tens razão."
Já tentei a abordagem choque/agressiva: "vai-te esvair em sangue para outro lado."
Já tentei a abordagem ausente: "............."
E a única que funciona é: "se calhar ía andando..."
No meu caso "ía andando" significa ir ter com amigos, o que quer dizer fazer 49 km até S. Pedro e outros 49 para casa. Não é prático.
Por isso defendo que um anexo é o ideal, não precisa de ser muito grande, precisa simplesmente duns livros, revistas com gajas, música e cerveja. Simples.
Gosto muito da minha namorada e tenho saudades dela 5 dias por mês.
Caro Deus, não há maneira de rever isto?